Quantas vezes nos pegamos julgando outras pessoas mesmo sem querer?

Só de olhar a gente já fala (ou pensa):

“Fulano é isso”, “Ciclano deve ser assim” ou ainda “Coitado do(ou Bem feito pro) Beltrano, tinha tudo pra ser assim e é assado”.

Frases que TODO MUNDO já pensou ao menos uma vez na vida. Aposto que ontem mesmo e se bobear, hoje faremos de novo.

É algo que parece ser mais forte, que atrai e consome.

Mas a realidade é que é um vício.

Somos viciados em nossos pré conceitos. Pois temos idéias pré concebidas para praticamente todas as coisas/pessoas/lugares e dificilmente abrimos mão delas.

A expressão “julgar o livro pela capa” nunca fez tanto sentido. Quantas vezes fazemos isso? Ou seja, julgamos a pessoa só pela aparência (capa) sem conhece-la de fato (sem abrir e ler ao menos um pouco, o livro)?

Tudo isso se torna ainda mais interessante quando somos nós os julgados. Tá na bíblia (em algum lugar e em um modo parecido) “Julgueis e sereis julgados”. Olha, pelo menos nesse ponto, a danada tem razão. Mesmo porque, como disse anteriormente é impossível não julgarmos e também impedir o julgamento dos outros a nosso respeito.

Mas, até que ponto o julgamento dos outros nos afeta? Atrapalha meu dia, meu humor, me preocupa? Eis um particular que somente cada um pode responder. Embora a grande maioria esteja pensando nesse minuto :”Pra mim não interfere quase nada” mesmo que fique se remoendo por dentro e saiba lá no fundo que interfere sim.

O ponto crucial não é ser alvo de um julgamento, mas tudo depende quem é a pessoa que nos julga. E se for alguém que amamos? – Pois pais, maridos/esposas, namorado(a)se etc também julgam, pois são humanos antes de qualquer outra coisas.- Será que continuaria com esse discurso de “não me afeta” da mesma maneira?

E pior, e quantas vezes fomos nós as pessoas amadas a julgar?

Será que temos realmente a noção da dor/decepção que podemos causar?

Assunto complicado, polêmico e definitivamente nada agradável.

Quem me conhece sabe que tenho algumas tatuagens e que gosto da coisa. Sendo portanto, alvo constante dos tais julgamentos. Já perdi a conta do número de pessoas que me disseram que tinha uma imagem completamente diferente de mim antes de me conhecer.

E depois que conheceram viram que não era nada daquilo que imaginavam. Até hoje me pergunto se isso é bom ou não….

Mas enfim, todo mundo que me vê, por exemplo, certamente pense N coisas a meu respeito, quem devo ser, o que faço, enfim, essas coisas todas. E aposto que nem sempre são coisas positivas.

São as chamas “falsas impressões”.

Quem nunca ouviu um “Antes de te conhecer, achava que vc era metido/bravo/etc “??? Como disse lá em cima, perdi as contas de quantas vezes ouvi isso.

“Quem vê cara, não vê coração”, outro ditado que exprime a mesma coisa, que somos ainda presos mais à imagem que ao conteúdo.

Outra prova disso é a tal “beleza interior”. Que também é prova cabal do quanto somos ligados à beleza exterior. Pois a beleza interior só é valorizada quando a exterior é descartada (leia-se a pessoa é feia).

E temos tanto outros julgamento que fazemos e são feitos sobre nós todos os dias, a todo momento.

E a pergunta que realmente vale é : Será que vale a pena?

Será que vale a pena nos preocuparmos se fulano é assim?Se ciclano é assado? Ou se deixa de ser?

Será que vale a pena levarmos em consideração a opinião de terceiros na minha vida e nos meus atos cotidianos?

Será que vale a pena sermos Juízes da verdade e querer que todas as pessoas vivam de acordo com nossos padrões de certo/errado e feio/bonito?

Será que vale a pena magoarmos alguém só para dizermos a nossa opinião sobre as atitudes dela mesmo que não tenham nos perguntado?Ou mesmo que tenham nos perguntado.

Será que vale a pena ser tão apegado às imagens mentais que temos de nós e dos outros, da nossa vida e das nossas coisas?

Será que vale a pena tentar mudar?Será que dá pra mudar?

Será que vale a pena perder o amigo mas não perder a “piada”?

Será que vale a pena abrirmos mão de nossa individualidade por algo/alguém ou pior, para ser aceito determinado grupo ou classe social?

Será que vale a pena?

Será?

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