A mesma sociedade que nos impele a consumir, nos impede de aproveitar as coisas.

A mesma sociedade que nos estimula a ser críticos, nos impede de pensar.

A mesma sociedade que quer formar cidadãos, impede que esses cidadãos sejam formados.

Ela não educa, não avalia valores, não fornece as ferramentas básicas para que o ser humano melhore sua vida.

Inves disso, ela aprisiona e marginaliza qualquer um que não se “encaixe” em seus padrões.

Um exemplo disso é essa nova geração de “cidadãos”, que cada vez mais, são superficiais, egoístas, mesquinhos, frívolos. Não respeitam nada nem ninguém, não valorizam coisa alguma e somente as aparências e “o que o outro vai pensar” têm valor.

Mas a sociedade não ficou assim sozinha, não foi do dia para a noite. Foi também por culpa nossa…e por culpa da geração que antecedeu a nossa.

Culpa da “modernização” desenfreada e da troca de valores sem necessariamente pesar as consequências.

Trocamos valores como respeito, honra e amizade por “zoação” e um conceito meio distorcido de amizade (tanto que poucas pessoas hoje em dia sabem diferenciar amigo de colega).

Não escrevo sobre isso para protestar ou qualquer coisa assim, pois seria ridículo, até pelo fato de estar inserido e viver em sociedade, mas sim para nos alertarmos que se a sociedade enquanto definição e conceito definhou de maneira incrível por nossa culpa, também temos o poder de mudar e reergue-la de maneira digna, honesta e sincera. Aliando os pontos positivos da sociedade atual, da geração Y (sim, existem pontos positivos também, evidente que apenas não os citei), com os pontos positivos da geração X e da sociedade ao qual cresci – e muitos leitores do blog também.

Escrevo essas linhas pois acredito que o modo como vivemos, a sociedade na qual estamos inseridos, está com seus dias contados. Sinto que tomamos inevitavelmente o caminho da auto destruição enquanto sociedade de capitalismo selvagem e desenfreado.

Não defendo absolutamente nada, apenas reflexão e mudança interior de atitude, postura, ética e ideais de vida.

Pois francamente, os ideias atuais dessa sociedade não me atraem. Não tenho desejo em saber/ser BBB ou algo que o valha. Não me interesso em saber o que as “celebridades” estão fazendo.

Pra mim, muito mais preocupante é o fato de muitos teram tão pouco. E poucos terem tanto.Com um abismo absolutamente incrível entre eles.

Basta pensarmos que apenas 25% da população brasileira tem acesso à internet. Portanto se você está lendo esse texto, é um felizardo e talvez sem soubesse. E considerando que 25% é hoje uma conquista pois a 5, 10 anos atrás esse número era bem menor com toda a certeza….

A sociedade nos estimula sempre a sermos competitivos, agressivos até, para conquistarmos o nosso lugar ao sol…mas peraí, pensei que todos tivessem direito ao seu lugar ao sol….podemos querer sim os melhores lugares…mas até que ponto?

E acho que essa falta de guias, de ética, de sensibilidade e respeito ao próximo é o grande mal da sociedade contemporânea. Ta aí o tal de bullying que não me deixa mentir.( Sequer tinha ouvido o  temro a 5 anos atrás.)

Nossos caminhos são cada vez mais velozes, absorvemos cada vez mais informações e não sabemos o que fazer com ela. Não temos tempo para nada mesmo resumindo ao máximo algumas atividades e querendo facilitar (ou criar atalhos) para algumas tarefas.

E ter mais tempo pra quê?

Pra não fazermos nada? Ou pra fazermos mais coisas pra termos mais tempo pra fazer mais coisas pra termos mais tempo….

Enfim, às vezes parece que existe um vazio imenso em nossa sociedade.

Suponho que esse vazioa seja justamente pelo fato de basearmos tudo no capital.

No TER e não no SER.

No SER HUMANO.

Nos preocupamos mais com nossas coisas do que com o estado de espírito por exemplo, de um colega de trabalho.

Nossa sociedade jamais será justa enquanto nos basearmos em coisas.

Coisas.Seres inanimados.

Seres que por si só não fazem e jamais farão a diferença, é sempre necessário o fator humano por trás deles.

Fator esse tão desprezado e tão essencial.

Sermos humanos não significa termos nascido humanos.

Você não nasce humano, aprende a sê-lo.

Nascemos animais, como todos os outros, aprendemos a ser humanos, no decorrer de nossas vidas, com nossos aprendizados, experiências e situações vividas.

É um exercício constante, duro, exigente mas extremamente dignificante e recompensador.

Juro que tento fazer minha parte todo dia.

Nem sempre consigo, nem sempre me lembro.

Mas tento e acredito que só por tentar, já sou um humano um pouquinho melhor….

Abraço!

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